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A história do filme de Maryam Keshavarz é aparentemente banal - duas adolescentes e as vivências típicas da idade - American Idol, bebidas, roupas, saltos altos, festas, etc. 
No entanto, tudo isto deixa de ser banal quando a esta equação se junta o cenário Irão, a dicotomia religião-cultura, drogas e a descoberta sexual. 
O filme de 2011 mostra uma abertura do mundo muçulmano ao panorama contemporâneo, mas mostra sobretudo o choque que é inserir estes novos valores e vivências numa sociedade alicerçada em valores seculares impostos pelo Corão.
Atafeh Hakimi  (interpretada por Nikohl Boosheri) faz parte de uma família moderna com posses, mas com um irmão que para fugir aos seus problemas com drogas envolve-se com o lado mais ortodoxo da religião, arrastando a sua família e a melhor (e mais íntima) amiga da irmã - Shireen Arshadi (interpretada por Sarah Kazemy). 
Longe de ser um filme explícito aborda os desejos comuns das jovens e da sua descoberta enquanto mulheres contemporâneas a tantas outras, mas envoltas num cenário onde tudo ou quase tudo é retrogrado. Uma visão muito interessante sobre um dos muitos problemas actuais da chamada "Primavera Árabe".




Nas entrelinhas é curiosa a menção feita no filme e personificada pelos pais de Atafeh à Revolução Iraniana de 1979 - revolução esta que depôs a Monarquia Autocrática e estabeleceu a República como regime vigente. Outra característica interessante é o facto de que os pais de Shireen são no filme a imagem omnipresente da presença  dos defensores de uma espécie de anti-revolução. 
Na data da revolução, argumentava-se a defesa pelos Direitos Humanos, mas muitos dos costumes ocidentais, costumes estes que para nós são normais, como o acesso à informação, o cinema, a música, a maquilhagem, as roupas mais ousadas, a homossexualidade, etc, continuaram a ser proibidos no Irão, pois são considerados elementos passiveis de corromper a juventude iraniana. 
Circumstance mostra a forma solitária, anónima e quase obscura que os jovens iranianos encontraram para ter acesso a tudo isto e a "batalha" diária que travam entre os costumes e a contemporaneidade. 




O filme venceu o Audience Award, no Festival Sundance Film Festival, de 2011. Um filme sobre o desejo de liberdade e um alerta para o Outono em que muitos muçulmanos ainda vivem - muitos por gosto, outros por opção, mas muitos por repressão. 

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9 comentários até agora:.

  1. Parece um filme interessante. Damos muitas vezes a nossa liberdade por garantida, é interessante ver estas realidades.

  2. Anónimo says:

    Sofia: explique-me o que é que faz neste blog?
    Não faz sentido aqui - é a única pessoa com bom gosto no meio de tanta porcaria

  3. Sofia says:

    é um filme cheio de detalhes sobre uma cultura que nós ocidentais temos alguma dificuldade em perceber - uns por opção, outros por desinteresse ou preconceito. é a ver - sem dúvida

  4. Sofia says:

    Não sei bem o que responder. Facilitava uma identificação em vez do anonimato

  5. CINE31 says:

    Curiosamente, quando consultei a ficha do filme no IMDB, deparei-me com um comentário de uma pessoa que diz que viveu lá até recentemente, e na opinião dela, o filme não reflecte nada da realidade... mas, não há país onde não seja possível encontrar pessoas a descrever o dia a dia de modo oposto, conforme o papel social que desempenham. Pronto, agora vou voltar aos filmes com explosões e assim...

  6. Sofia says:

    :) esse comentário faz-me lembrar aquilo que sinto em relação a alguns filmes portugueses. Nem em todas as casas nacionais existem casos de incesto ;)

  7. CINE31 says:

    incesto, droga, pobreza, etc, os ingredientes do "cinema social", por falta de melhor expressão (sorry, não tenho à mão o dicionário) :)

  8. Esta critica deste "Circumstance" noto ter mais contextualização de História sobre a realidade presente no filme, do que verdadeiramente abordares o próprio filme em si e o que vivem estas personagens. Mas compreende-se pois não dá muito para dissociar a narrativa com a força de uma cultura que é tão diferente da nossa.
    É um bom filme!

    Escrevi algures assim, e lá está, também num mero resumo foi preciso contextualizar o factor da realidade cultural:
    "7/10 - Filme impecável que se abate no conceito sobre o fundamentalismo iraniano sobre as mulheres e as suas fronteiras sociais e mais que isso, consegue ser também um filme sobre amor proibido entre duas amigas, sendo que uma casa forçada com o irmão da outra... e dramaticamente!
    Visualmente impecável, exótico, lascivo por vezes e dá um interessante (e admirável) uso às tradições do país, à familia, a libertinagem, a diversão nocturna, etc.
    Interessantíssimo bom filme independente!"

  9. Sofia says:

    a abordagem histórico-social foi mais forte do que eu :)

    Exótico é de facto uma palavra chave para este filme. concordo

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